Yilmaz Güney

Yılmaz Güney (1937-1984) foi realizador e argumentista de cinema, romancista e ator curdo. Produziu filmes dedicados à situação da classe trabalhadora na Turquia e à cultura curda.

Yılmaz Güney deixou os seus estudos em Direito e em Economia para se tornar ator. Conhecido como “the Ugly King” (“paşay naşirîn” em curdo) fez parte de uma nova geração de cineastas que se dedicou a criar representações mais realistas da vida turca/curda.

Depois de trabalhar como assistente de Atıf Yılmaz, Güney participou em cerca de 20 filmes por ano e tornou- se um dos atores mais populares na Turquia.  Na década de 60 a repressão política na Turquia levou Güney à prisão. Na prisão, de 1960 a 1962,   escreve o romance intitulado “Eles morreram com a cabeça inclinada”.

Apesar da situação política no país (ou talvez por causa dela) Güney começou a realizar seus próprios filmes em 1966, criando a sua própria produtora “Güney Filmcilik”. Nos anos seguintes, os seus filmes refletem os sentimentos das populações naTurquia: “Umut” (1970); “Ağıt” (1972); “Acı” (1971); “The Hopeless” (1971). “Umut” é considerado o primeiro filme realista do cinema turco.

No contexto da sua resistência ao regime turco, depois de 1972, Güney passou a maior parte de sua vida na prisão. Por ter albergado estudantes anarquistas, Güney foi preso durante a pré-produção de “Zavallılar” (1975) e antes de terminar o filme “Endişe” (1974), que foi terminado em 1974 pelo seu assistente Şerif Gören. Este úlimo dirigiu vários argumentos escritos por Güney na prisão, até ser libertado da prisão em 1974. Güney foi detido novamente nesse ano por ter disparado contra Sefa Mutlu, seguido a uma querela, e por causa do qual foi condenado à prisão durante 19 anos.

Durante este período de prisão, os argumentos cinematográficos com mais sucesso foram “Sürü” (1978) e “Düşman” (1979), ambos dirigidos por Zeki Ökten. “Düşman” ganhou uma Menção Honrosa no 30º Festival Internacional de Cinema de Berlim em 1980.

Em setembro de 1980, as obras de Güney foram banidas pela nova junta militar. Güney a este propósito: “Há apenas duas possibilidades: lutar ou se render, eu escolhi lutar”. Depois de fugir da prisão em 1981 e fugir para a França, Yılmaz Güney ganha a Palme d’Or no Festival de Cinema de 1982 com o filme “Yol” (1982), cujo realizador de campo voltou a ser Şerif Gören. Usando histórias de 5 prisioneiros, o filme evolui mostrando a repressão política, militar e social assim como a divisão criada entre Turcos e Curdos, num momento crucial da história da Turquia.

Apenas em 1983 Güney volta a realizar, contando no seu último filme “Duvar”(1983) uma história brutal de crianças presas. Filme realizado em França com subsídios do Estado francês. Entretanto o governo turco revogou a sua cidadania, tentando eliminar menções à sua existência, confiscando e destruindo 11 dos filmes em que participou ou realizou. Yılmaz Güney morre de doença em 1984, com 47 anos, em Paris.